A gestão dos recursos hídricos na bacia do Paraíba do Sul, primeira região a instituir a cobrança pelo uso da água, é um dos temas do encontro desta sexta-feira (4), que vai reunir indústrias e lideranças empresariais de todo o Vale na sede do CIESP de São José dos Campos.
“A Indústria apóia a cobrança como instrumento de política de preservação da bacia hidrográfica e também para a construção de estações de tratamento de esgoto, seja doméstico ou industrial”, afirma Almir Fernandes, diretor titular da Regional anfitriã do evento.
Graças a esta política, que inclui o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), o índice de coleta de esgotos no Vale subiu para 89% nos últimos quatro anos e há significativa expansão da rede de tratamento de efluentes domésticos. “Anualmente, são arrecadados cerca de R$ 5 milhões para o Fundo, só no trecho paulista”, observa Fernandes.
No entanto, devido ao baixo índice de tratamento do esgoto, a qualidade em determinados trechos está comprometida. “Se não forem investidos recursos substanciais em saneamento básico, esse comprometimento poderá impactar outorgas existentes e limitar a instalação de novos empreendimentos”, alerta Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do CIESP.
Oriundo da Cetesb, onde construiu sólida carreira por mais de 25 anos, o engenheiro San Martin conhece de perto a região do Vale e Litoral Norte, onde coordenou, de 1983 a 1987, programa de controle da poluição ambiental, área de sua especialização. “O Paraíba do Sul, no trecho paulista, recebe todos os dias 35 mil quilos de carga orgânica. Mas a menor parte deste total é a carga remanescente contida nos efluentes tratados das indústrias”, assinala.
Em termos de geração e tratamento de esgotos industriais, parte das empresas da região trata diretamente seus efluentes, ou efetua o pré-tratamento para fins de lançamento na rede pública de esgotos, acrescenta o diretor do CIESP. “Em ambos os casos, a grande maioria atende aos padrões de lançamento de efluentes previstos na legislação”, completa.
Com o título “Desafios para as Indústrias do Vale do Paraíba, o encontro, que terá início às 9 horas, é uma iniciativa do CIESP São José, por meio do seu Grupo de Profissionais de Meio Ambiente das Indústrias do Vale do Paraíba (GPMAI), e do Departamento de Meio Ambiente do CIESP, e vai reunir as quatro regionais da macrorregião – Mogi das Cruzes, Jacareí, São José dos Campos e Taubaté.
Uma bacia, dois comitês
O Vale do Paraíba do Sul conta com dois comitês de bacia, o CBH-PS, que contempla os rios de domínio estadual, e o Ceivap, que é o Comitê de Integração do Rio Paraíba do Sul, que é federal e abrange três estados e mais de 180 municípios.
Tanto nos rios de domínio do Estado, como no rio Paraíba do Sul, o principal problema ainda é o baixo índice de tratamento de esgotos de origem doméstica, confirma Zeila Chitolina Piotto, coordenadora regional de Meio Ambiente.
Desde 2003 é feita a cobrança pelo uso da água captada tanto nos rios de domínio do Estado, quanto na calha principal do rio Paraíba do Sul. No âmbito do Ceivap, são arrecadados cerca de R$ 8 milhões ao ano. “A maior parte desses recursos é investida em obras de infraestrutura, como estações de tratamento de esgotos. O restante é consumido em ações de planejamento e de gestão”, acrescenta Zeila.
A bacia do Paraíba do Sul é importante não só para o Vale, mas também como fonte de abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. “Cerca de 160 metros cúbicos por segundo são transpostos para a bacia do Rio Guandu”, completa a coordenadora de Meio Ambiente.
Serviço
Desafios para as Indústrias do Vale do Paraíba
Data: 4 de dezembro – das 9h00 às 11h30
Local: CIESP São José dos Campos Av. Tivoli, 563, Vila Betânia.
Informações: Tel. (12) 3921-7922 / Fax: (12) 3921-7089
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